Dia do Choro é celebrado em data alusiva aos 121 anos de Pixinguinha

O gênero musical surgiu no século XIX, como uma mistura entre ritmos africanos e europeus. No século seguinte, grandes nomes do choro, como Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazaré deixaram enorme contribuição para o gênero, que serviu de base para outros e colabora, até hoje, para a formação da cultura brasileira.

Para um dos principais expoentes do chorinho atual, Hamilton de Holanda, o choro “é um formador da personalidade cultural do brasileiro”. Segundo ele, “o choro é o primeiro gênero musical brasileiro, só de ser assim, já tem importância grande, além de ter uma ligação forte com gênero irmão, que é o samba”, explica. “O que mais me encanta no choro é a mistura de informalidade com a música elaborada”, completa.

Nascido em família de músicos, o encantamento do artista com o choro remonta à infância. Aos cinco anos ganhou do avô, como presente de natal, um bandolim. Desde então, ao longo da carreira, acumulou prêmios e se apresentou em diversos países do mundo. E o que percebe, em suas andanças, é um interesse crescente pelo gênero.

“Há 15 anos viajo pelo mundo. No começo, eu reparava que as pessoas se identificavam muito com o ritmo e o choro em si não era tão conhecido, mas, de uns tempos pra cá, sinto interesse maior do público. O estrangeiro em geral gosta muito da música brasileira”, avalia.

Choro como perfil da alma brasileira

O presidente do Clube do Choro de Brasília e fundador da Escola Brasileira de Choro, conhecido como Reco do Bandolim, também salienta a importância do estilo musical na formação da identidade brasileira.

“O choro é uma manifestação da nossa cultura musical, é anterior ao samba e, na minha visão, é uma abordagem que permite desenhar o perfil da nossa alma brasileira”, afirma. “Ele me remete à história do meu povo, do meu País, e coloca à tona minha sensibilidade, da alma profunda brasileira”.

Na análise de Reco, o Brasil é um país musical e, no choro, o brasileiro se enxerga e vê sua fisionomia.

Ele explica que o chorinho surgiu no século XIX como uma maneira de tocar e interpretar gêneros musicais que vinham de fora do País, como a polca, a valsa e o lundu africano.

“Era uma maneira de interpretar aquelas coisas que chegavam aqui. Lá na Europa, esses gêneros eram tocados por orquestras e aqui, por cavaquinhos e violões”, lembra.  “Existem várias explicações para qualificar a palavra choro, a mais corrente é que faziam abordagem mais melancólica, quase um lamento”, acrescenta.

Pixinguinha como maior referência do Choro brasileiro

Em 23 de abril de 1897, no Rio de Janeiro, nasceu Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, flautista, saxofonista, compositor e arranjador, uma das principais referências da música popular brasileira e nome tão definitivo para a história do choro que a data de seu nascimento tornou-se o Dia Nacional do Choro.

São de sua autoria músicas como Carinhoso, Lamentos, Rosa, Vou Vivendo, entre dezenas de outras.

Fonte:Ministério da Cultura

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