Conjunções: o que são, quais os tipos e como usar sem errar?

Conjunções: o que são, quais os tipos e como usar sem errar?

Tem uma classe de palavra que quase ninguém estuda com carinho e que decide sozinha o sentido de um texto inteiro: a conjunção. Trocar um “mas” por um “porque” muda completamente o que a frase afirma — e é justamente aí que muita redação perde ponto sem que o autor perceba.

A boa notícia é que dá para organizar todas elas em poucos grupos e, depois disso, o assunto fica bem lógico.

O que é uma conjunção

O que é uma conjunção

Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações, ou dois termos de mesma função dentro de uma oração, estabelecendo uma relação de sentido entre eles.

Repare nesta frase: “Estudei muito, mas não passei”. O “mas” não acrescenta informação nova, ele informa que a segunda parte contraria a expectativa criada pela primeira. É esse tipo de instrução de sentido que a conjunção carrega. Como as conjunções ligam orações, vale relembrar antes o que são os tipos de sujeito e os termos integrantes da oração.

Os dois grandes grupos

Os dois grandes grupos

As conjunções coordenativas ligam orações independentes — cada uma se sustenta sozinha. As subordinativas ligam uma oração que depende da outra para fazer sentido completo.

O teste é simples: separe as duas partes e leia cada uma isolada. Se as duas continuarem inteiras, a conjunção é coordenativa. Se uma delas ficar pendurada, é subordinativa.

As conjunções coordenativas

As conjunções coordenativas

Aditivas

Aditivas

Somam ideias: e, nem, não só… mas também, bem como. Exemplo: “Ele estuda e trabalha”. Lembre que “nem” já carrega a negação, então “nem também” fica redundante.

Adversativas

Adversativas

Indicam oposição ou quebra de expectativa: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto. Exemplo: “Chegou cedo, porém ninguém abriu a porta”.

Alternativas

Alternativas

Apresentam escolha ou alternância: ou, ou… ou, ora… ora, quer… quer. Exemplo: “Ora ri, ora chora”.

Conclusivas

Conclusivas

Fecham um raciocínio: logo, portanto, por isso, assim, pois (quando vem depois do verbo). Exemplo: “Chovia muito; ficamos em casa, portanto”.

Explicativas

Explicativas

Justificam o que foi dito antes: porque, pois, que, porquanto. Exemplo: “Leve o guarda-chuva, pois vai chover”.

As conjunções subordinativas

As conjunções subordinativas

Causais

Causais

Apontam a causa: porque, já que, visto que, uma vez que, como (no início da frase). Exemplo: “Como estava tarde, voltamos”.

Condicionais

Condicionais

Apresentam uma condição: se, caso, contanto que, desde que, a menos que, salvo se. Exemplo: “Caso chova, cancelamos”.

Concessivas

Concessivas

Admitem um obstáculo que não impede o fato: embora, ainda que, mesmo que, apesar de que, conquanto. Exemplo: “Embora estivesse cansado, terminou o trabalho”.

Temporais, finais, comparativas e consecutivas

Temporais, finais, comparativas e consecutivas

As temporais marcam tempo (quando, enquanto, assim que, logo que). As finais indicam objetivo (para que, a fim de que). As comparativas estabelecem comparação (como, tal qual, assim como). As consecutivas mostram consequência (tão… que, tanto que, de modo que).

As confusões que mais derrubam nota

As confusões que mais derrubam nota

A primeira é usar “mas” quando a relação é de conclusão. “Estudou muito, mas passou” está errado: passar é o esperado de quem estudou, então o certo é “portanto”.

A segunda é confundir causa com explicação. “Ele saiu porque estava doente” apresenta a causa do fato. “Ele estava doente, pois saiu correndo para o médico” apresenta a justificativa de quem fala. Na dúvida, pergunte se a segunda parte explica o fato ou explica o motivo de você ter dito aquilo.

A terceira é a confusão entre “mas” (conjunção de oposição), “mais” (advérbio de intensidade) e “más” (adjetivo). São palavras diferentes com funções diferentes.

E uma quarta, muito comum: a vírgula. Antes das adversativas e das conclusivas, a vírgula é obrigatória. Antes de “e” aditivo com o mesmo sujeito, ela costuma ser dispensada.

Dúvidas Frequentes

“Pois” é explicativa ou conclusiva?

Depende da posição. Antes do verbo, costuma ser explicativa: “Fique, pois preciso falar”. Depois do verbo, é conclusiva: “Fique, portanto, comigo”.

Locução conjuntiva é a mesma coisa?

Funciona igual, mas é formada por duas ou mais palavras, como “à medida que” e “ainda que”.

Pode começar frase com “mas”?

Pode, e é aceito na norma culta para dar ênfase. Só não convém repetir a cada parágrafo.

“Porém” e “entretanto” são iguais a “mas”?

Têm o mesmo valor adversativo, mas costumam soar mais formais e podem aparecer depois do verbo, entre vírgulas.

Planilha Resumo: Conjunções

Tópico Em resumo
Aditivas Somam ideias: e, nem, não só… mas também, bem como.
Adversativas Indicam oposição ou quebra de expectativa: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto.
Alternativas Apresentam escolha ou alternância: ou, ou… ou, ora…
Conclusivas Fecham um raciocínio: logo, portanto, por isso, assim, pois (quando vem depois do verbo).
Explicativas Justificam o que foi dito antes: porque, pois, que, porquanto.
Causais Apontam a causa: porque, já que, visto que, uma vez que, como (no início da frase).
Condicionais Apresentam uma condição: se, caso, contanto que, desde que, a menos que, salvo se.
Concessivas Admitem um obstáculo que não impede o fato: embora, ainda que, mesmo que, apesar de que, conquanto.
Temporais, finais, comparativas e consecutivas As temporais marcam tempo (quando, enquanto, assim que, logo que).

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Para não esquecer:

Coordenativas ligam orações independentes e se dividem em aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicativas. Subordinativas ligam uma oração dependente e incluem causais, condicionais, concessivas, temporais, finais, comparativas e consecutivas. Antes de escolher, pergunte que relação de sentido você quer marcar.

Qual conjunção sempre te deixa em dúvida na hora da redação? Escreve pra gente que a gente monta um exemplo só dela. ✍️

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